Eu sei inglês, então por que eu travo na hora de falar?

Você já percebeu que, às vezes, você sabe o que gostaria de falar em inglês, sabe as palavras, entende o que a outra pessoa está dizendo, mas, quando chega a hora de falar, parece que tudo desaparece?

Você percebe que o coração acelera, o corpo fica tenso, começa a pensar demais em cada palavra que vai dizer, até que, aquela frase que parecia tão simples alguns minutos antes simplesmente não vem.
Acredito que você até saiba que não precisa falar perfeitamente, já tenha escutado algumas vezes que errar faz parte do processo. Mesmo assim, na hora de falar, existe alguma coisa que parece maior do que essa compreensão racional.
E então você pode começar a evitar falar: deixar de fazer uma pergunta porque não sabe como formulá-la. Pensar duas, três ou dez vezes antes de responder, ou preferir ficar em silêncio. Deixar que outra pessoa fale por você. Ou simplesmente pensar: “Eu ainda não estou pronta.”
Mas será que isso significa que você não sabe inglês?
Quando uma situação é nova, o corpo percebe
Nosso corpo é muito bom em identificar situações que parecem exigir alguma coisa de nós! Quando encontramos algo novo, diferente ou imprevisível, é comum que ele entre em um estado de maior atenção. É como se, diante de uma situação nova, o corpo lidasse com aquilo como se precisasse nos proteger de um mamute. É claro que falar inglês não é um mamute.
Mas, para o nosso corpo, uma situação em que precisamos nos expor, não sabemos exatamente o que vai acontecer e ainda temos medo de errar pode ser percebida como uma situação que exige cuidado.
E esse cuidado pode aparecer como frio na barriga, tensão, nervosismo, tremor, um branco na cabeça, pensamentos acelerados ou aquela vontade enorme de sair dali.
Aqui, você sabe inglês e ainda está sentindo todo o desconforto acontecendo, ao mesmo tempo! E, o primeiro passo é perceber o que está acontecendo sem transformar o desconforto em uma prova de incapacidade.
Dar nome ao que acontece
Quando uma situação desconfortável acontece, pode ser difícil separar aquilo que estamos sentindo daquilo que pensamos sobre nós mesmas.
Vou te dar alguns exemplos:
Você pode sentir insegurança e concluir que não é capaz.
Pode sentir vergonha e pensar que não deveria estar tentando.
Pode ficar nervosa e interpretar isso como um sinal de que ainda não está pronta.
Mas existe uma diferença importante entre “estou sentindo medo” e “eu não consigo”.
Por isso, vale a pena começar por perguntas simples:
O que estou sentindo no meu corpo?
Que pensamentos apareceram?
O que eu estou dizendo para mim mesma nesse momento?
Nomear aquilo que acontece não faz o desconforto desaparecer, apenas nos ajuda a dar contorno para uma experiência que, quando fica sem nome, pode parecer muito maior e mais difícil de compreender. Já quando conseguimos perceber o que está acontecendo, também podemos começar a escolher o que fazer com isso.
Você não precisa transformar o desconforto em um problema
Aprender uma nova língua envolve estar em situações em que você ainda não sabe exatamente como agir.
Você vai errar palavras, esquecer expressões, precisar pedir para alguém repetir, perceber que não conseguiu explicar algo como gostaria. E, sim, isso é desconfortável, é chato sentir vergonha e perceber o corpo tenso ou falar uma frase e depois ficar pensando se falou certo.
Por outro lado o desconforto sinaliza que você está saindo do automático, fazendo algo importante, se expondo a algo novo e construindo novas possibilidades.
A questão não é descobrir como nunca mais sentir desconforto ao falar inglês.
Porque você pode estar insegura e ainda assim estar aprendendo, sentir medo e ainda assim conseguir falar, ou não se sentir pronta e ainda assim estar construindo, aos poucos, um novo repertório.
Sentimentos diferentes ou até opostos, cabem dentro de uma mesma experiência, principalmente quando essa experiência envolve se expor, sair da zona de conforto e se comunicar em um novo idioma!


