Há um"A Parte Que Falta"?
- Laísa A. Moretto

- 17 de jul. de 2024
- 2 min de leitura
Uma breve reflexão sobre uma história de busca, experimentação, aceitação e comprometimento com uma vida valorosa.
Atendimento Psicológico Online. Qualidade de vida.

"A Parte Que Falta" é um livro de Shel Silverstein que conta a história de um círculo incompleto, ou um semi-círculo, em busca da parte que falta para se sentir inteiro. O círculo encontra diferentes pedaços, mas nenhum encaixa perfeitamente. A narrativa se assemelha à busca humana por completude ao se relacionar com o outro. O círculo encontra vários pedaços, mas sempre há algum obstáculo: ou é pequeno demais, grande demais, ou tem o tamanho certo, mas uma forma estranha que não se encaixa, ou até mesmo machuca.
"Faltava-lhe uma parte. E ele não era feliz." - Shel Silverstein
A autora, Shel, nos convida para uma reflexão descontraída e profunda sobre essa busca pela parte que falta, passando por um rico processo de experimentação até a aceitação de que não há falta; cada um de nós é completo em nossas imperfeições! É destacada a urgência e a importância de desenvolver disposição para lidar com os desconfortos e inseguranças, mesmo quando esses sentimentos são chamados de imperfeições. E assim, encontrar a felicidade dentro de si mesmo, em vez de depender dos outros.
Em reunião de mulheres, com idades variando da casa dos 20 até os 70, lemos e refletimos sobre tal história. Todas expuseram já ter se adequando para caber em um relacionamento, as mulheres mais velhas completaram que em sua experiência de vida a adequação se tratava de um relacionamento amoroso heterossexual. O que levou a observação de como essa vivência de se ajustar para estar num relacionamento é comum para mulheres tão diferentes como aquelas, e como eu, que também vivi algo parecido! (Mas esta observação é o desdobramento para outro texto).
Em conjunto com aquelas mulheres, conclui que amigos, familiares, parceiros e parceiras amorosas não têm a função de preencher um vazio ou completar uma lacuna. As pessoas com as quais nos relacionamos são simplesmente outras pessoas, com suas próprias histórias, valores, experiências e interpretações sobre as demandas da vida, assim como nós.
Em um relacionamento com outra pessoa que possui tantas singularidades quanto nós, é impossível encontrar um encaixe ou completude. Não peças de lego ou um quebra-cabeça!
No entanto, é possível e necessário cultivar empatia, admirar as diferenças e aprender com uma convivência de qualidade entre pessoas únicas em suas imperfeições!
Romper com o conceito de falta e entendê-lo como singularidade, diferença e parte de quem somos não é uma tarefa fácil. A primeira tarefa é entender as nossas próprias demandas, a segunda tarefa, pode ser então entender as demandas de cada um dos nossos relacionamentos. Já adianto que encontrar a equilíbrio e descontração nesse cenário é árduo e dá um frio na barriga, e na mesma proporção é necessário para uma vida valorosa e plena, além de desenvolver habilidades para enfrentar os desafios.
A psicoterapia é um processo que permite compreender as exigências sociais nos relacionamentos e aprender a lidar e viver com elas de forma saudável e satisfatória.


